Constantino era filho de Constâncio Cloro, Imperador Romano responsável pelo Ocidente da Europa. Subiu ao trono na Gália em 306, ao passo que seu cunhado Licínio ficou com a parte Oriental do Império. Sua religiosidade não era a da Mitologia fantasiosa dos antigos Romanos, mas cultuava Apolo-Sol numa espécie de monoteísmo ainda vago. Antes da batalha contra Maxêncio, Constantino aproximou-se mais do Cristianismo.
Embora ainda não fosse Cristão Constantino reconhecia cada vez o valor do Cristianismo; por isto em fevereiro de 313 promulgou o Edito de Milão, que reconhecia a religião Cristã como lícita e dotada de plena liberdade (não porém, religião do Estado – o que só aconteceria em 380); em conseqüência, os templos e outros bens imóveis confiscados deveriam ser restituídos aos Cristãos. Este gesto teve enorme importância, pois desfazia o vínculo até então existente entre o Estado Romano e a Religião pagã.
Embora suas concepções Religiosas ainda fossem confusas, estava convencido da superioridade da Religião Cristã. Em 324, o Imperador enviou um manifesto aos súditos do Oriente, desejando que cada um abandonasse “os templos do engano” e entrasse “na casa radiante da vida”; proibia, porém, que se molestasse quem quer que fosse por causa das suas crenças religiosas.
Há porém, quem julgue que a proteção concedida por Constantino ao Cristianismo desvirtuou a Igreja, contaminando-a com crenças e práticas do paganismo. É o que passamos a considerar atentamente.
1 - Quanto à pessoa de Constantino, pode-se dizer que passou por uma evolução religiosa notável. Vagamente monoteísta, quando começou a governar, reconheceu no Cristianismo um fator que lhe asseguraria êxito político; daí o apoio que em seus primeiros tempos de governo outorgou à Igreja. Aos poucos, porém, Constantino foi assimilando a própria mensagem do Evangelho, de modo que não pode ser tido como “hipócrita beato”. Em 315, por exemplo, declarava: “Dedico pleno respeito à regular e legítima Igreja Católica”, e vinte anos mais tarde: “Professo a mais santa das Religiões...Ninguém pode negar que sou um fiel servidor de Deus”.
2 - Constantino acreditava ter recebido uma missão especial de Deus para harmonizar o Estado e a Igreja. Dizia ser o epískopos (vigilante) de fora; assim, por exemplo, falou a Bispos reunidos num Concílio Regional: “Vós sois epískopoi = (bispos) daqueles que estão dentro da Igreja; eu, porém, fui constituído por Deus epískopos = (Vigilante) daqueles que estão fora da Igreja”. Com tais palavras Constantino queria afirmar que se considerava encarregado das populações ainda não Cristãs, às quais deveria levar o Evangelho.
3 - Não há dúvida de que Constantino, simultaneamente, trazia o título de “Grande Pontífice” da religião pagã, título que seus antecessores já tinham usado. Pode-se crer que ele assim procedia por motivos políticos e diplomáticos, mais do que por convicção íntima; como dito, tinha uma formação doutrinária eclética ou incompletamente Cristã e sujeita a temores supersticiosos.
4 - Deve-se ainda observar que o envolvimento dos Imperadores na ordem interna da Igreja não deturpou a estrutura e a doutrina do Cristianismo. A mensagem do Evangelho foi, através de tais vicissitudes, vividas pelo povo de Deus de modo a poder transmitir-se íntegra às gerações subseqüentes. O fato de terem cooperado entre si a Igreja e o Império não é um mal em si; não há por que rejeitar de antemão o bom entendimento entre aquela e este, a menos que se professe um maniqueísmo (dualismo) sócio-político.
Se um Imperador se diz Católico e nada prova que não é sincero, a Igreja tem o direito e o dever de contar com ele como um filho seu, a quem compete proclamar o Evangelho.
Fonte: http://catolicismo.yolasite.com/40.php
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